Adiamento terminado

Setembro 17, 2011

No meio da luta com uma monografia que insiste em não se escrever sozinha e às 3h da manhã após um daqueles dias em que só não questiono as origens do mundo porque não calha, mudei-me virtualmente para outro sítio.

Adeus adiamento. Desculpa, mas agora estou com pressa.

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11/09/2001 – 11/09/2011

Setembro 11, 2011

Lembro-me de estar em casa a acompanhar tudo pela televisão e lembro-me também de ver uma das torres a cair, com um sentimento de incredulidade e de tristeza perante a devastação que seres humanos foram (e são) capazes de infligir noutros seres humanos, ainda para mais inocentes. 10 anos passados, continuo a ficar arrepiada ao ver imagens e testemunhos relativos a tudo o que se passou. E continuo também sem conseguir entender como pode haver pessoas tão más neste mundo, qualquer que seja a nacionalidade, religião, idade ou preferência política. Simplesmente não entendo e tenho medo, muito medo dessas pessoas.

Ser Português

Setembro 9, 2011

Deixo aqui no blogue algumas imagens de uma página cuja popularidade tem subido mais rápido do que o preço da gasolina em Portugal. Se há algumas sem gracinha nenhuma, há outras que são geniais de tão verdadeiras e ridículas que são.

Bem, esta última imagem adequa-se a mim, admito. Contudo acho que a combinação perfeita para ser algo mais português ainda seria “O avião toca com as rodas no chão. Bate palmas”.

Quebro este hiato imprevisto com um pequeno balanço do que foi o estágio numa farmácia comunitária. Tenho pena de ter chegado todos os dias exausta a casa e por isso não ter podido escrever à medida que as situações foram acontecendo… Mas realmente é o primeiro ponto que ressalvo: trabalhar numa farmácia cansa a cabeça, as pernas, as costas, tudo tudo. Nunca tinha tido tanta necessidade de dormir.

Em três meses tive alguns momentos de frustração, daquela que dava vontade de apertar pescocinhos alheios. Para muitas pessoas alguém que embora tenha estudado 5 anos, só tendo 23 anos e um laço ou uma flor na cabeça não pode saber nem ajudar  muito. E várias são também as pessoas que acham que ir à farmácia é como ir ao talho e é vê-los a pedir medicamentos rápido, rápido, com descontos e com a designação de pastilhas, como se 500mg de paracetamol ou de ácido acetilsalicílico fosse a mesma coisa que uns rebuçados para a tosse. E isto é a parte do balcão, porque a parte de trás numa farmácia, a parte que não se vê de fora, essa também dá muitas dores de cabeça e muito trabalhinho.

Contudo acho que aquilo que prevalece após estes três meses (que passaram a voar!) são lembranças boas. Pequenas conquistas, coisinhas pequenas mas muito importantes para alguém pequeno também. Aquelas pessoas que no início não confiavam mas que depois até gostava de ser atendidas por mim. Medições de glicemia às 8h30 que deixaram de ser o meu drama de picar dedos e ver uma gota de sangue para passarem a ser o acompanhamento de pessoas com uma doença crónica e cujo nosso aconselhamento pode ser fundamental no controlo da progressão do problema. Os utentes que paravam para me cumprimentar na rua ou para agradecer a ajuda prestada. E os senhores que me deixaram pequenas lembranças na farmácia. Uma série de coisas que faz pensar “assim vale a pena!”. Para ajudar tive também a sorte de estagiar numa farmácia com pessoas muito simpáticas e sempre prontas a ajudar, entre as quais a minha nova “ídola” da farmácia comunitária (TODO o conhecimento possível e imaginário que pode ser útil numa farmácia depositado em pouco mais de metro e meio de altura e 29 anos de idade, é incrível).

Apesar de o trabalho numa farmácia comunitária nunca ter feito nem fazer parte dos meus planos (embora nunca o coloque de lado, não sei o que me espera no futuro), não posso negar que em termos humanos é uma experiência bastante enriquecedora, algo a que apenas algumas profissões têm acesso. Falando do que conheço e sabendo que há, como em tudo, excepções, é com uma enorme satisfação que digo que admiro muito os bons farmacêuticos deste mundo e o seu trabalho em prol das pessoas.

E é assim que a pouco e pouco (ou a muito e muito, que isto de estagiar é uma coisa grande) me vou aproximando do final de um longo caminho.

London, I love you

Junho 25, 2011

Não foram só os meus posts que pararam nestes três/quatro meses. De certa forma tudo parou à minha volta desde que estive em Londres. É difícil explicar: na verdade não parou, sinto é que tudo ficou diferente. Já voltei há mais de duas semanas, mas achei melhor esperar um pouco para escrever este texto, pois na altura do regresso não conseguia pensar com clareza no que se estava a passar nem escrever mais friamente.

Ir para Londres, nem que por uns meses, era um sonho enorme, antigo e bem conhecido por todos que me rodeiam – essa parte da história toda a gente sabe. E toda a gente, incluindo eu, sabia que era quase certo que eu iria adorar a cidade. O que eu não sabia é que ia gostar TANTO. Ouvi o Tiago dizer muitas vezes acerca de Madrid que era incrível como uma cidade estranha conseguia entrar na nossa rotina e quando dávamos conta tudo aquilo já estava “entranhado na nossa pele”. Contudo para mim foi mais que isso: em pouco tempo Londres entrou no coração. Não digo que vim embora quando já começava a estar habituada à rotina, pois na verdade demorei muito pouco a habituar-me à cidade (bem menos do que alguma vez pensei e muito menos também do que se passou quando me mudei para o Porto). Para quem nunca tinha andado sozinha numa cidade tão grande e tendo eu um sentido de orientação manifestamente mau, foi uma agradável surpresa perceber que conseguia fazer tudo sozinha sem problemas. Não creio que seria possível ter aproveitado melhor estes meses. Tenho pena de não saber os km que andei, mas tenho noção de que foram muitos, muitos, muitos. Confirmei que tenho sérios problemas em ficar parada e em desperdiçar 5 minutos do meu tempo, pelo que tentei aproveitar cada pedacinho ao máximo. É impossível referir metade do que fiz nestes 3 meses e meio neste texto. É também impossível explicar-vos tudo o que vivi nesta cidade neste período. Podia ficar horas a falar dos museus, dos parques, dos mercados, dos concertos, das lojas, das ruas, da arquitectura, das pessoas, do metro, do tempo… Simplesmente não consigo colocar em palavras o quanto gostei de estar lá e como me senti bem. Por outro lado, não sei como poderia agradecer a Londres o que ela fez por mim. Há muito que não me sentia tão calma ou tão feliz. É engraçado como até nas fotografias consigo ver um sorriso francamente grande como nunca me lembro de ter visto em mim. Em Maio o Diogo verbalizou perfeitamente parte do que passei a sentir: ao sair desta vidinha que sempre foi igual ao longo de 5 anos uma pessoa descobre que há mais coisas no mundo, que os dias não têm de ser só isto e que não vale a pena stressar por tão pouco. Para além de tudo de concreto que a cidade me proporcionou, a experiência de Erasmus fez-me crescer bastante e confirmar que sim, consigo sobreviver longe de casa, dos papás, dos amigos e de tudo que me é familiar (na verdade senti bem menos saudades do que imaginava que iria ter uma vez afastada de Portugal…).

Neste momento falar de Londres é falar de um amor assumido, é falar da cidade onde mais me revi até hoje e onde melhor me senti alguma vez na vida. É falar de um novo objectivo de vida que se impôs e de um sonho com contornos definidos. Acho que ainda me falta bater muito, mas muito com a cabeça (já percebi que nada comigo pode ser fácil, simples ou um golpe de sorte), mas não vou baixar os braços tão cedo. Por enquanto vou sentindo mais e mais saudades de tudo o que em Londres me encantou e relembrando cada pedacinho do enorme conjunto de coisas que adorei na cidade. Há cerca de ano e meio que não há um único dia em que não pense ou fale em Londres, portanto suponho que tudo isto seja serious business… London, I really love you ♥

Achava que teria muito para escrever sobre a minha última Queima das Fitas, mas a verdade é que ela se diluiu um pouco no meio desta experiência de Erasmus. Custou ir a Portugal e deixar Londres e o coração ficou mais pequenino quando me ausentei desta esta cidade ainda que por pouco tempo, pois tudo isto veio relembrar que a partida definitiva está para breve.

Contudo claro que a semana passada foi óptima. Não houve muitas lágrimas, talvez por já ter a cabeça cada vez mais noutro lado – e foi melhor assim. Gostei muito, mas mesmo muito de tudo. Reencontrar pessoas no jantar de curso e na serenata e contar um pouco desta aventura. Passar a missa de bênção das pastas a tirar fotografias às fitas e entre colegas que afinal já são amigos. Dar um trambolhão voador no palco e sentir um apoio tão, mas tão reconfortante na imposição das insígnias. Ir ao queimódromo noites seguidas e gostar muito. Andar de cartola e bengala roxas pelas ruas do Porto e passar a tribuna pela última vez no cortejo. Ter uma noite de príncipes e princesas com o vestido cor-de-rosa e os sapatos roxos mais fofos que já tive no baile de finalistas. Ir ao Magnus, aos Clérigos, aos Aliados, a Cedofeita, aos Leões. Passou rápido e foi muito diferente do que eu imaginaria, mas sem dúvida que valeu a pena ter ido e ter vivido tudo aquilo mais uma vez, desta vez como finalista. Se chegou rápido? Não, para mim chegou no tempo certo, não sinto que tenha sido rápido ou moroso: pareceram-me 5 anos, exactamente. Foram/estão a ser os melhores anos que já tive, mas agora é tempo de seguir em frente e de conhecer e viver outras coisas. Vou, obviamente, ter saudades: continuo a achar que nesta faculdade se vivem coisas em que mais nenhuma seria possível e isso marca-nos a todos. Mas penso que apenas em Outubro ou Novembro é que vou sentir a despedida…

A melhor parte foi depois o regresso. Chegar a Londres sozinha e passar o fim-de-semana a passear na cidade que me conquistou de uma forma que eu nunca imaginei. Basta ver as fotografias da Queima para encontrar um sorriso maior do que alguma vez me lembro de ter. Com todo o stress que lhe é imputado, Londres conseguiu trazer-me calma e a maior sensação de bem-estar que alguma vez senti. Em 3 semanas vou levar um estalo de realidade, mas por agora tenho de respirar fundo, aproveitar ao máximo o que ainda me falta por aqui e enfrentar tudo o resto que está para vir – aqui não há muito a pensar, pois não podia ser de outra forma.

Londres, Londres, Londres

Abril 18, 2011

Este fim-de-semana em Londres vi a torre do Big Ben (de dia e iluminada à noite), a St. Paul’s Cathedral, a Abadia de Westminster e as Houses of Parliament, o Palácio de Buckingham, Trafalgar Square (de dia e de noite também) e Piccadilly Circus. Estive num mercado de roupa, antiguidades e afins, num mercado de comida e num mercado de flores. Vi lojas vintage quase até não poder mais. Vi Wild Beasts e outras duas bandas no Record Store Day. Cantei Pulp, Smiths, Joy Division e Smashing Pumpkins num karaoke com ingleses. Fiz, outra vez, um pic-nic num parque, vi mais uma exposição de fotografia gratuita e vi pelo menos três actuações de rua fantásticas. Vi um senhor dentro do metro a dançar e ninguém olhou duas vezes. Fui a Hackney e a mais uma data de sítios estranhos sozinha. Vesti umas calças cor de tijolo e não vi ninguém a olhar estupidamente para mim. Vi gente estranha – adoro, adoro, adoro! Fui a pubs e fiz uma free tour no meio do caos da Maratona de Londres. Andei até os pés doerem demais e pedirem para pararmos. Voltei para casa feliz e com a perfeita noção que de o fim-de-semana não foi dos mais preenchidos mas que ainda assim o aproveitei ao máximo e que foi óptimo – Londres faz-me bem.

Não conseguia dizer se demoraria mais ou menos para pensar assim, mas no fundo já sabia que era tudo uma questão de tempo até desejar verdadeiramente morar cá, não para sempre mas pelo menos durante alguns anos.  Em menos de 2 meses consegui ver muito mais do que achava à partida que iria conseguir conhecer e a cada dia que passa adoro cada vez mais esta cidade e quanto mais a conheço mais quero conhecer, quando mais vejo mais entendo que há ainda muito para ver. Adoro começar a enumerar as coisas que me agradam em Londres e perder a conta nem a meio. Adoro passear nesta cidade onde tudo é diferente e onde nunca estou aborrecida. Contudo, não gosto de pensar que em breve terei de ir embora e por isso pela primeira vez este fim-de-semana senti o chão a fugir debaixo dos pés quando pensei que dentro de pouco tempo tenho voltar para Portugal e que não sei quando voltarei a Londres. Escolher Londres para Erasmus foi algo que nem sequer exigiu muita ponderação, pois para mim Londres sempre foi A cidade. Foi sem dúvida das melhores decisões que tomei em toda a minha vida e quem me dera poder decidir continuar cá – contrariamente ao que achava quando cheguei, a escolha seria muito fácil. Infelizmente não basta querer ou escolher, muito infelizmente…

1º mês londrino

Março 23, 2011

O primeiro mês londrino já passou, o aniversário foi no Domingo. Foi um mês que não podia ter sido mais cheio, com alguns imprevistos e muitas coisas boas do início ao fim. Neste primeiro mês consegui passear bastante e por isso já visitei muitas mais coisas do que esperava conseguir neste período. Vi vários museus e mercados, fui ao primeiro concerto em Londres, apaixonei-me por alguns cafés e ruas, passei pelos pontos típicos turísticos mas também já descobri recantos que só morando cá (ou visitando a cidade muitas vezes) dá para conhecer. Tenho adorado os dias em que tenho tido oportunidade de pegar num mapa de manhã e ir para um destino escolhido na noite anterior e explorar a zona a pé. Tenho andado bastante a pé – não há melhor forma de aproveitar e conhecer Londres e de me sentir melhor aqui.

Coisas boas: museus fantásticos completamente gratuitos, uma enorme oferta de concertos, pessoas exóticas em todo o lado, parques verdinhos e grandes, lojas de fazer estremecer o meu lado mais fútil, sempre coisas novas a acontecer e nunca estar parada. Coisas más: a comida, não ter aqui com quem partilhar vários momentos londrinos e mil pessoas em todo o lado, sempre, sempre, sempre. É uma cidade muito louca, não me canso de o dizer. Contudo percebi que apesar de Londres ser uma cidade fantástica e de adorar estar a morar aqui, isso não é condição suficiente para se ser completamente feliz. Tenho saudades daqui até à Lua. Muitas, mas mesmo muitas. Falta um bocado de barba para isto ser perfeito. Agora resta-me aproveitar ao máximo os próximos dois meses, que espero que sejam tão preenchidos como este primeiro. Para quem nunca aqui esteve, só tenho a dizer que precisam de cá vir rápido: esta cidade merece uma boa visita!

Esta semana foi comprida. Enfrentei a vacina do tétano um ano e dois meses depois da altura devida, comi menos lacticínios do que previa, visitei novamente e insistentemente bancos devido à dualidade euro-libra, escolhi a farmácia onde vou passar o meu rico Verão, esqueci-me que sou insegura ao entusiasmar-me a explicar o meu poster no IJUP, despedi-me de pessoas e coisas muito importantes e daqui a umas horas vou estar em Londres. Esta semana foi daquelas que não se repetem nunca mais na bidinha. Até Londres, pessoas!

1 week left

Fevereiro 13, 2011

Daqui a uma semana estarei em terras londrinas, provavelmente ainda a tentar acreditar que é mesmo verdade que ficarei em Londres durante uns meses. Passou-se tanta coisa desde que soube que tinha conseguido ficar com uma vaga de Erasmus lá que agora me parece estranho só faltar uma semana para ir realmente. Esta última semana foi passada como a maioria dos meus dias na faculdade: a correr. Entre bancos, laboratório e outras pequenas coisas (que todas juntas deram muito tempinho gasto) o tempo voou. E nesta semana que começa amanhã tenho mais um sem-número de coisas para acabar de tratar e para fazer, o que me deixa ainda mais nervosa e com muitas hormonas de stress em circulação. Neste momento sinto-me bastante ansiosa, já com dificuldade em adormecer à noite e com aquela sensação que bem conheço e que aparece sempre que me preparo para algo fora da rotina.

Entretanto vou também criar um blogue paralelo a este, dedicado apenas ao período de Erasmus. Acho que faz mais sentido: este blogue vai continuar a servir para eu falar ao mundo de coisas aleatórias e desprovidas de interesse e o outro vai alojar uma série de textos e fotografias relativos aos próximos meses em Londres.  E na outra casa será possível comentar e tudo, vai ser uma festa! Quem depois quiser saber o endereço pergunte, que este blogue tem agora um pouco mais de seriedade e já possui um email de contacto no fundo da página! Tardou, mas já tratei disso também.

Agora vou voltar para o meu drama. Como é possível que em pleno ano de 2011 ainda não tenham inventado uma magia qualquer que me permita em qualquer ponto do mundo abrir um armário do sítio onde estiver alojada e ir dar ao meu armário de casa? Como raio se enfia 3 meses de vida numa mala que me parece cada vez mais pequena sempre que olho para ela? Ser menina às vezes é chato.